Uma mistura de Ciência, Saúde e Política, histórica e atual.
Texto de João Paulo de Oliveira Freitas
Acima de qualquer discussão sobre saúde pública, encontram-se os deveres do Estado em garantí-la a qualquer cidadão brasileiro. Apesar disso, sabe-se que nem sempre esses direitos humanos atingem seu total objetivo. Isso é evidente quando são estudadas as medidas governamentais de manutenção da saúde, tais como a prevenção, meta primária do Estado.
Cientificamente falando, a saúde depende do desenvolvimento tecnológico, que por estar defasado no país, acaba descontentando o serviço público de saúde.
A Saúde vem se tornando mercadoria. Julio José Chiavenato, em seu livro “O Massacre da Natureza”, explica que o avanço da política econômica mundial tem tornado mais importante o tratamento de uma doença do que sua possível cura, por ser algo mais rentável. Um perigo monetário causador de muitos conflitos. Basta assistir todos os dias filas, falta de equipamentos e falta de profissionais no serviço público de saúde.
Há pouco tempo, com uma queda de energia que atingiu grande parte do Paraguai e do Brasil, um hospital brasileiro público não tinha gerador de energia para os equipamentos que mantinham vivos os recém nascidos, fato que causou polêmica.
Muito antes da criação do Sistema Único de Saúde (SUS), em 1988, os governos brasileiros já enfrentavam problemas com epidemias. Oswaldo Cruz, no mandato de Rodrigues Alves, ao inserir sua política preventiva de vacina obrigatória, causou certa desordem entre a população, a qual não aceitou as invasões de privacidade, dando origem à Revolta da Vacina.
Fatos como esse comprovam a importância da aceitação da população numa medida preventiva de saúde. O problema da privacidade levou os governantes a contornarem a situação, aplicando, por exemplo, a política de redução de danos. O fornecimento de seringas descartáveis a usuários de drogas é uma das metas. Essa medida é contraditória, mas eficiente: mesmo sendo polêmica, torna-se apaziguadora.
Além do problema social que o Estado enfrenta, há o econômico. O SUS gasta milhões de reais para manter métodos de prevenção e tratamento de doenças ativos. Essa questão novamente é incômoda para a população, já que impostos a mais são cobrados. Margaret Chan, da Organização Mundial de Saúde (OMS), infere que garantir a saúde para todos, requer responsabilidades mútuas. A consciência é uma delas.
Analisando todos esses fatos, é claramente visível a importância da conciliação entre a população e o Estado. Sem sobrepor direitos e deveres um do outro, a saúde é atingível. O Poder Nacional tem limitações e desafios para enfrentar. A melhor saída é a informação. Indivíduos mais bem informados tendem a ter mais gosto pela vida e assim enfrentar as doenças como meros momentos, e momentos são passageiros.