Fonte: Jornal da Ciência
Primeira sessão plenária da 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CNCTI) define um dos conceitos básicos da temática do evento
Desenvolvimento sustentável está na moda, mas o que exatamente ele significa? Para a geógrafa Bertha Becker, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, especialista em desenvolvimento da Amazônia, o termo é de difícil definição. Para ela, desenvolvimento sustentável não é um estágio final, mas um processo contínuo de mudança rumo a um alvo móvel, que pode ser alcançado por diferentes caminhos, e implica, necessariamente, uma mudança de padrão de desenvolvimento.
“Há vários projetos de desenvolvimento sustentável na Amazônia, mas eles são incapazes de resolver o problema do desenvolvimento econômico pela via do desmatamento”, disse Bertha, em sessão plenária sobre o tema no primeiro dia da 4ª CNCTI, nesta quarta-feira, dia 26.
Nesse sentido, ao sugerir a necessidade de haver um novo padrão de desenvolvimento, a geógrafa refuta os caminhos mais em voga atualmente: a economia verde, de baixo carbono; e a mercantilização dos produtos naturais mais básicos – “ar, água, vida”. Nesse contexto, Bertha é crítica do pagamento por serviços ambientais e de sua principal ferramenta, o Reed (redução de emissões por desmatamento).
“É preciso atribuir valor para a floresta em pé, mas não pelo simples financiamento”, afirmou a professora, cobrando projetos e políticas capazes de explorar economicamente a floresta sem destruí-la. Nesses projetos, o desenvolvimento de novas tecnologias, baseadas na biotecnologia e engenharia genética, seria fundamental.
Introduzindo uma visão empresarial ao debate, o presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Pedro Passos – um dos sócios fundadores da fabricante de cosméticos Natura -, defendeu as iniciativas em prol de uma economia de baixo carbono, sem discordar da necessidade de um novo padrão de desenvolvimento proposto por Bertha Becker.
Segundo o empresário, um cenário global marcado por mudanças climáticas, crescimento populacional, formação de megacidades e aumento da demanda por recursos básicos exigirá essa nova economia.
“O aumento da eficiência no gasto de energia é imperioso”, disse Passos, para quem os agentes econômicos serão pressionados por consumidores e legislações cada vez mais rígidas e de caráter transnacional para fazerem essa passagem à economia de baixo carbono. Segundo o presidente do Iedi, a transição para modelos mais eficientes está na agenda da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Para fazer essa transição, destacou o empresário, também será necessário investir em ciência, tecnologia e inovação. “O Brasil tem que ser um pólo de biotecnologia”, disse Passos, que exigiu também metas ousadas para a melhoria da qualidade da educação básica no país.
Nesse tema, o coordenador da sessão plenária, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), arrancou aplausos da plateia ao conclamar os candidatos à sucessão presidencial a incluírem a melhoria da educação básica entre suas prioridades de fato.
(Vinicius Neder, do Jornal da Ciência)






























