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2009 – Os quatro séculos da ciência moderna

Postado por Luciano Henrique Em 13 de January de 2010

Compacto da reportagem da revista unespciência, setembro de 2009. Alguns trechos foram acrescentados  por mim.

Em 1609, talvez entre uma aula e outra na Universidade de Pádua, o então professor de matemática Galileu Galilei (1564-1642) resolveu olhar para o céu. De posse de uns “óculos especiais” aperfeiçoados por ele mesmo a partir de um instrumento recém inventado por holandeses, ele viu a lua de um modo como ninguém jamais havia visto. Descobriu também que havia no espaço muito mais estrelas que se podia imaginar e que Júpiter tinha seus próprios satélites. Observações que ocasionaram a quebra do paradigma geocêntrico e uma mudança radical de visão do mundo vigente até então. Nascia ali a ciência moderna.

Tal fato trouxe ao pensamento cientifico que para gerar conhecimento é preciso observar, experimentar, calcular e raciocinar. A ciência deixava de ser explanada pelo tradicionalismo religioso e entravam em ação o racionalismo e o empirismo. A partir das observações com a luneta, Galileu mostrou que era possível enxergar além de nossos sentidos por meio de objetos produzidos pela razão. Houve também a ruptura da ideia do perfeccionismo divino pregado pela Igreja na época. Quando Galileu observa a lua e enxerga nela crateras, põe abaixo a escolástica de que o céu era perfeito.

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Eu, produtor de conhecimento

O ano de 1609 foi simbólico porque Galileu começa a oferecer uma visão inteiramente nova sobre o procedimento cientifico. Começa a haver uma sistemática para a experimentação e observação. Com fórmulas ele deduziu como a natureza agia. A partir daí, a matemática se uniu à ciência de forma promíscua e foi considerada por Galileu como a linguagem fundamental da natureza.

O que Galileu propunha, no entanto, era algo maior do que a ideia de que a Terra não é o centro do Universo. A nova maneira de fazer ciência e observar as imperfeições ao redor afetava a concepção do mundo de uma maneira arrasadora para toda a cultura antropocentrista e antropocentrada. Logo, os primeiros impasses entre ciência e religião começaram a acontecer. Naquele momento, o embate era claro, não se podia empenhar artigos de fé em assuntos de razão. E este foi o ponto crucial para o nascimento da ciência moderna. A separação entre ciência e fé, entre fato e valor. “A ciência determina fatos que, em princípio, servem para todos os homens; portanto são neutros do ponto de vista do valor. Se a Terra se move ou não isso não tem nada a ver com ser protestante ou católico”.

Acrescentado por João Paulo:
Assim foram muitos outros cientistas e filósofos, que sofreram nas mão da Inquisição. Mas aqui não se pode criticar a ciência ou a Igreja. Ambos tiveram seus auges, ambos se conderaram também. Porém, esse empasse ideológico pôde ser realmente apresentado com um filófoso e matemático muito importante, Descartes. Ele publicou seu livro “O Discurso do Método Científico” logo após as perseguições a Galileu, feitas pela Inquisição, sendo assim alvo de muitas críticas. Descartes mostrava bem diretamente, com sua dialética, que a CIÊNCIA NÃO EXCLUI A RELIGIÃO, elas podem muito bem viver em harmonia, alcançando assim a VERDADE ABSOLUTA. Porém o Homem hoje, se esqueceu totalmente das verdades, da moral, e alienando-se passou a preferir mais o TER do que o SER, nada mais do que a sociedade capitalista emprega.

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Homem fora do pedestal

Essa revolução deixou marcas na imagem que a civilização tinha de si mesma. Para Sygmund Freud (1856-1939), foi a primeira das três feridas que abalaram o narcisismo da humanidade, ao tirar dos homens a ideia de que eles ocupavam um lugar privilegiado no Universo. A segunda ocorreu há 150 anos com a teoria da evolução por seleção natural proposta por Charles Darwin em seu A Origem das Espécies. A terceira, segundo Freud foi a que seu próprio trabalho provocou ao mostrar que o homem não é senhor absoluto da sua própria psique. “O homem perdeu seu pedestal no Universo, mas se conscientizou como único Ser capaz de compreender a natureza e dominá-la”.

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Do moderno ao contemporâneo

Com os passar dos séculos sociedade e ciência juntamente evoluíram. A ciência que era tida como algo fútil e de quebra dogmática passara a ser tida como verdade absoluta com o Movimento Iluminista. Depois voltou a ter sua credibilidade abalada com tragédias que atingiram a humanidade, momentos que acabaram abrindo espaço para o misticismo.

Hoje, talvez o grande desafio da ciência seja o seu papel em relação à humanidade. “Com a consolidação da ciência, surgiu a suposição de que ela serve para todos, então não tem problema moral. Mas hoje sabemos que não é bem assim, porque gradativamente ela foi se tornando mais complexa, passou a precisar de financiamento. E se a ciência precisa ser financiada e foi se ligando ao sistema de produção, há, portanto, interesses envolvidos. O desenvolvimento mostrou que ela não é totalmente neutra. E os interesses tem sim implicações morais, sociais, no domínio dos valores” (Mariconda – professor de filosofia da ciência da USP).

O fato que marca a inflexão da ciência moderna na ciência contemporânea foi o Projeto Manhattan, a produção da bomba atômica. Esse fato fez com que a ciência ficasse cada vez mais aliada ao lucro e ao poder, distanciado-a cada vez mais da sociedade.

A ciência dos laboratórios se desenvolveu muito, mas deixou para trás a construção do conhecimento científico da população que está cada vez mais alienada. Hoje o cientista é taxado como alguém louco, que vive fora da realidade. A sociedade não consegue enxergar que a ciência está mais que presente em nosso cotidiano. As pessoas acompanham o desenvolvimento científico e tecnológico sem ter a menor ideia do conhecimento que está por trás e ficam sujeitas a pseudociências e misticismos tolos.

Riscos? Nunca mais!

Postado por João Paulo Em 13 de January de 2010

A Nissan, há algum tempo, tem utilizado em seus carros uma tinta antirisco chamada Scratch Shield. Agora tem novidades! A empresa autorizou o uso do produto à operadora de telefonia celular japonesa NTT DoCoMo. Agora nem os celulares terão riscos.

O mais interessante é que a tinta se repara sozinha. Esse produto foi desenvolvido pela Nissan em parceria com a Universidade de Tóquio e a empresa Advanced Softmaterials. Ela vem sendo aplicada em algumas versões Infiniti – carros de luxo da marca – e também em alguns modelos da Nissan.

Apesar de cara, é muito eficaz. A tinta é capaz de se renovar em caso de arranhões pequenos em menos de 24 horas e, para arranhões maiores e mais profundos, em até uma semana. Segundo o fabricante, ela é mais resistente que as tintas antirrisco tradicionais, o que colabora para que as camadas aplicadas ao produto sejam mais duradouras.

Transforme tudo em música

Postado por João Paulo Em 13 de January de 2010

Fonte: http://scienceblogs.com.br/massacritica/2010/01/transforme_tudo_em_mus ica.php

Draw(desenho) + Audio = Drawdio

O Drawdio é um projeto conduzido por Jay Silver, do MIT, e permite transformar diversos objetos do cotidiano em um instrumento.

O mecanismo funciona com um circuito simples que produz diferentes sons conforme a condutividade do circuito que é fechado no sistema.

No vídeo eles demonstram que o grafite, por ser condutor, pode ser usado para criação de diversos desenhos que podem se transformar em sons. Também funciona com água, plantas, amigos… nas mãos de uma criança isso é garantia de muita diversão.

Indicações de Leitura

Postado por João Paulo Em 12 de January de 2010

Lendo a revista Engenharia Automotiva e Aeroespacial da SAE BRASIL (Sociedade de Engenheiros da Mobilidade) número 40, encontrei algumas publicações interessantes que pelas descrições, eu gostaria de ler. Se alguém se interessar em leituras sobre engenharia, aí vão as dicas:

ADMINISTRAÇÃO E MANUTENÇÃO RÁPIDA ANALÍTICA (Analytical Fleet Maintenance Management), 3a edição:

Escrito por John E. Dolce, esta nova edição é a primeira atualização em mais de uma década, mostra detalhes de tecnologias de última geração que podem beneficiar gerentes, além de revisar as mais recentes práticas em administração de manutenção rápida. Esta terceira edição contém novos capítulos discorrendo sobre liderança de administração rápida e projetos e manutenção, assim como fórmulas aritméticas atualizadas ao longo do livro.

Data da publicação: junho de 2009

PREJUÍZOS DAS PERDAS BIOMECÂNICAS (Neck Injury Biomechanics):

O livro de Jeffrey A. Pike inclui 40 notáveis documentos cobrindo mais de 15 anos de pesquisas dos prejuízos das perdas biomecânicas. “Embora muitos dos fundamentos estejam associados ao veículo”, escreve Jeffrey A. Pike, “os dados resultantes relativos às perdas por movimentação e cargas são aplicáveis a uma larga gama de cenários de perdas.” Inclui documentos da International Technical Conference on the Enhanced Safety of Vehicles (ESV) e outras entidades internacionais, como também artigos da Traffic Injury Prevention.

Data da publicação: agosto de 2009

SISTEMAS DE INFOTAINMENT (Informação e entretenimento):

Autor: Ronald K. Jurgen. O campo de sistemas de coberturas de infotainment abrange uma larga variedade de aplicações digitais, incluindo conectividade interna, entretenimento, comunicações externas, serviços de navegação e rádio. Contém 87 documentos cobrindo os últimos oito anos (2000-2007) de desenvolvimentos de engenharia relacionados a sistemas infotainment. Os assuntos incluem: capacitação de tecnologias, software, comunicação, reconhecimento de voz, displays e navegação.

Data da publicação: julho de 2007

MOTOCICLETA, A EVOLUÇÃO DAS MÁQUINAS QUE CONQUISTARAM O MUNDO:

Escrito por Fausto D’Azevedo Maciera. Duas rodas e um motor. Sobre essa simples idéia apoia-se todo um universo. Muito mais que um meio de transporte, a motocicleta é uma vitória do engenho e da arte, que permite locomoção com prazer, transporte com praticidade, estilo de vida com diversão. Seus entusiastas a definem como um símbolo: liberdade. Esta obra mostra a evolução dessas incríveis máquinas que conquistaram o mundo. A história da motocicleta traduz-se como uma verdadeira celebração da inventividade.

O contraditório no jornalismo científico

Postado por Luciano Henrique Em 12 de January de 2010

fonte:  Revista Unespciência, setembro de 2009.

Em seu livro Conhecimento Público, de 1968, o físico britânico John Ziman (1925-2005) destacou que a ciência moderna teve início pouco depois do surgimento da imprensa. Não a imprensa no sentido estrito e hoje predominante do jornalismo, mas no da impressão, da invenção gutemberguiana, que no século 15 rompeu definitivamente o círculo fechado em torno do conhecimento escrito. A partir desse recurso revolucionário, a recém-nascida ciência moderna não poderia ter deixado de se estruturar em função dele. Muito mais do que ser registrado, o conhecimento científico passou a ter de ser comunicado. Centenas de anos depois, no final do século 19, os cientistas já haviam estabelecido entre si a comunicação por meio de publicações destinadas a especialistas, ao passo que o jornalismo se tornara uma atividade empresarial voltada para o público em geral.

Em meio aos profissionais das diversas especialidades jornalísticas, os repórteres de ciência consolidam, no início do século 20, a imagem de tradutores da linguagem especializada dos cientistas, cada vez mais inacessível para os leigos. “Verdadeiros descendentes de Prometeu, os escritores de ciência pegam o fogo do Olimpo científico— os laboratórios e as universidades— e de lá o trazem para baixo, para o povo”, disse nos anos 1930 William Laurance, jornalista que cobria ciência no New York Times. (Citado por Dorothy Nelkinem Selling Science: How the press covers science and technology. Nova York: W. H. Freeman & Co., 1985.)

Essa criativa metáfora reflete o imaginário da sociedade não só sobre a distância entre o discurso científico e a linguagem comum, mas também sobre a posição dos cientistas como deuses, acima dos “mortais”. Porém, é consenso entre vários estudos que essa é uma concepção ultrapassada de divulgação da ciência. (Fapesp, Indicadores de Ciência, Tecnologia e Inovação em São Paulo 2004, vol. I, p. 12-8.) De um modo geral, no plano do ensino de graduação do jornalismo, prevalece o objetivo pedagógico de substituí-la por uma prática jornalística ancorada na contextualização das atividades científicas, destacando seus problemas, seus métodos e seus aspectos históricos, sociológicos e filosóficos.

A convicção de tantos especialistas de que o modelo de divulgação científica é uma visão ultrapassada mal se estendeu além do mundo acadêmico onde ela foi construída, pois surtiu pouquíssimos efeitos na prática jornalística na cobertura de ciência e tecnologia, uma vez que nela persiste hegemonicamente aquela concepção superada. O papel passivo apontado como característica da sociedade no modelo de divulgação científica de Laurance aplica-se, em certa medida, a grande parte dos jornalistas que cobrem ciência, pois sua função mediadora é vista como nula no fluxo vertical da informação. E isso se deve não só à omissão no plano da contextualização das notícias de ciência, mas também à falta do contraditório. É como se a ciência fosse detentora de verdades absolutas e não comportasse diferentes visões sobre seus temas. Com isso, o jornalista abre mão não só de sua função mediadora, mas, acima de tudo, de seu dever profissional de lidar com diferentes versões. Quem perde com isso é o leitor, ouvinte ou telespectador, que recebe uma informação prejudicada para promover uma compreensão crítica do processo relacionado ao fato jornalístico.

Os cientistas, no entanto, sabem que as conclusões de suas pesquisas não são definitivas. Sabem também que grande parte de seus trabalhos envolve diferenças de interpretações, e geralmente os bons papers fazem menção a trabalhos baseados em visões conflitantes com a do autor. Mas raros são os jornalistas que lidam com artigos publicados em periódicos científicos e têm condições de identificar outras fontes que possam oferecer versões diferentes até mesmo divergentes da pesquisa que é o tema central de sua reportagem.

Cabe à sociedade exigir uma cobertura jornalística de ciência pautada pelo mesmo preceito ético de independência que deve reger a atividade da imprensa. Na verdade, essa é uma cobrança que precisa cada vez mais ser feita em relação ao jornalismo como um todo. Mas isso é assunto para outra conversa.

Sobre Mim

Ciência e Tecnologia: duas palavras que me encantam desde pequeno. A melhor coisa que tem é você fazer o que gosta, e hoje estou na Engenharia Mecânica, na Faculdade de Engenharia de Bauru, UNESP. Pesquisas científicas e desenvolvimento de projetos são meus objetivos. Abaixo, meu currículo Lattes:
http://lattes.cnpq.br/1198397415430883

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