No mundo há muitos livros. Alguns de fotografias. Outros de ecossistemas. O professor Osmar Cavassan, da Unesp de Bauru, teve a idéia de juntar tudo isso e fazer um livro mostrando o cerrado da região de Bauru.
Cavassan foi convidado pelo CienTecno para falar um pouco sobre o projeto e o livro, e de prontidão enviou o texto abaixo, que com exclusidade é publicado aqui. Meus agradecimentos ao professor e à sua atenção.
“De olho no cerrado” de Bauru
Cerrado é o nome popular das Savanas Brasileiras. Sua área nuclear ocorre no Brasil Central, com áreas disjuntas na região amazônica entre as florestas e com expansões nos Estados de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e São Paulo, onde cobria no início do século passado aproximadamente 21% do território paulista.
Compartilha, portanto, naquele Estado, com matas do bioma Mata Atlântica. Em Bauru, a ocorrência do cerrado resulta da expansão do cerrado do Triângulo Mineiro pelo interior do estado de São Paulo na direção norte-sul.
Registros do início do século XX, indicam que neste Município tínhamos matas e campos, referência popular ao cerrado. O rio Bauru, seria um divisor destes dois tipos de vegetação, sendo que, na margem esquerda tínhamos matas e na direita, cerrado.
As matas sempre despertaram mais interesse, uma vez que estão associadas à solos mais férteis para a agricultura, enquanto cerrado ocorria em solos arenosos, altamente permeáveis, ácidos e menos férteis para a agricultura. Assim, culturalmente, cerrados eram vistos como “matinhas secas, pobres, com árvores pequenas, cascudas e tortuosas”.
As pesquisas realizadas neste tipo de vegetação revelaram, no entanto, uma rica biodiversidade, com interações com fauna, clima e solo, bastantes importantes. Há mais de trinta anos, desenvolvemos pesquisas no cerrado de Bauru. No entanto, os resultados são, normalmente, comunicados à outros pesquisadores em revistas científicas e congressos. A comunidade, assim como, no ensino formal estas informações não são disponíveis.
Recentemente, pesquisamos também em “ensino de ciências”, sendo que uma das preocupações é a transposição didática daquilo que se pesquisa na Universidade, com as escolas, principalmente em nível fundamental e médio. Da mesma maneira, através de atividades de extensão, tem-se a preocupação de disponibilizar à comunidade, tais informações.
O projeto do livro “De olho no Cerrado”, surgiu de um projeto anterior que não se concretizou sobre “Vegetação e flora da região de Bauru”, desenvolvidos por mim e por Olício Pelosi, professor de fotografia na FAAC – UNESP.
A partir de um convite seu, em nome do grupo Focopoint, formado por várias pessoas que gostam e estudam fotografia, planejamos registrar detalhes do cerrado presente no município de Bauru. Assim, em 16 trabalhos de campo, nas manhãs de sábado ou domingo, eu indicava um local onde existia um fragmento de cerrado, tais como, reserva legal da UNESP, Jardim Botânico Municipal de Bauru, Reserva Ecológica da Sociedade Beneficente “Enéas de Carvalho Aguiar” e outros remanescentes em loteamentos na periferia da cidade.
Nestas excursões, mostrava as espécies com flores, identificava-as e procurava acrescentar alguma outra informação de caráter científico ou cultural. Com a sensibilidade de fotógrafos que vai além de saber operar uma câmera, foram feitas centenas de fotos por cada membro da equipe, algumas já apresentadas em algumas exposições em Bauru. Deste acervo, também foram escolhidas 180 fotos para compor o livro “De olho no Cerrado”, lançado no dia 04 de fevereiro de 2010 na Estação Bar.
Assim, fica a expectativa de que, sob este novo ângulo de observação, o cerrado desperte na comunidade, em especial naqueles que tem o poder de decidir sobre o seu destino, sentimentos estéticos que revelam a riqueza de vida e a importância em manter vivo este importante ecossistema.
Bauru, 16 de fevereiro de 2010
Osmar Cavassan
Abaixo, equipe formadora do projeto.
Em pé da esquerda para a direita: Maria Alice Campitelli, Luiz Fernando Furtado, Silvio Serrano, Prof. Osmar
Cavassan, Edward Albiero, Lars Krook, Rodrigo Vicentini, Celso Melani. Agachados, da esquerda para a direita:
Maria Scaglione, Olicio Pelosi, Nilton Scudeller, Márcia Malmström, Denise Joaquim, Telles Nunes.
Imagem cedida pelo professor Osmar Cavassan
Slide 1
Em pé da esquerda para a direita: Maria Alice Campitelli, Luiz Fernando Furtado, Silvio Serrano, Prof. Osmar
Cavassan, Edward Albiero, Lars Krook, Rodrigo Vicentini, Celso Melani. Agachados, da esquerda para a direita:
Maria Scaglione, Olicio Pelosi, Nilton Scudeller, Márcia Malmström, Denise Joaquim, Telles Nunes.