Vagando pelos projetos de conclusão de curso presentes na nossa grande rede de comunicação virtual, encontrei um muito interessante. Ele visa determinar, através de um software, se a mancha na pele da pessoa pode vir a ser câncer. O projeto foi desenvolvido pelos alunos Heitor Ganzeli, Julia Bottesini, Leandro Paz e Matheus Ribeiro, sob orientação do Prof. Dr. João José Neto. Todos foram alunos de Engenharia de Computação Semestral 2009 da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.
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Projeto determina Câncer de pele
Criticar e elogiar
Em viagem, dia de chuva, preso no apartamento em pleno domingo, não restam muitas escolhas a não ser assistir TV. Resolvi ver aquele programinha semanal que quando toca a musiquinha já dá aquele frio na barriga “amanhã é segunda-feira”. Sim, o Fantástico.
Muitas vezes nos deparamos com alguns programas da televisão que valem mais dentro do lixo do que fora dele. Críticas como essa escrevi a alguns dias atrás sobre a ausência significativa da Ciência na imprensa. Dessa vez custou-me acreditar, mas o programa mostrou algumas reportagens interessantes sobre a Ciência. Está certo que em meio de várias outras sem necessidade.
Uma delas falava sobre as células-tronco. De forma bastante objetiva descreveram o que são e como são feitas as cirurgias, detalhando as vantagens de se tornar doador e como são ajudados os receptores. Algo de valor para a sociedade atual.
Uma outra reportagem que achei interessante foi das mulheres “peras” e “maçãs”. Desta vez a edição do programa não valorizou a beleza, mas sim a saúde. Não que tais mulheres não tenham beleza, mas é que geralmente a beleza expressa na TV gira ao redor dos corpinhos violões.
Mais uma notícia interessante foi da biologia canina. Um vídeo mostrou até que ponto um cachorro pode ser sensível ao tato, quando um animal percebeu, momentos antes que os humanos, que um terremoto estava acontecendo.
Também teve um vídeo computacional que demonstrava como surgiu o planeta Terra e sua água. Além disso, a emissora passará a apresentar uma série sobre oceanos: muito interessante.
Agora você pode ler isso tudo e perguntar o motivo de estar postando um resumo do programa de domingo. A Globo não está patrocinando o Cientecno, não. O que acontece é que ao mesmo momento em que critico a imprensa, há momentos em que ela é útil, e dessa vez me surpreendi com o número de notícias científicas no programa.
As emissoras deveriam fazer isso mais vezes. Não à futilidade!
A Ciência está nos Jornais?
Texto: João Paulo de Oliveira Freitas
- Estava analisando como se encontra a divulgação da Ciência no Brasil atual.
Quem leu essa pequena frase já pode ter idéia sobre o que vou discutir. A influência da mídia no mundo científico atual.
Não estou a criticar negativamente os jornalistas, pois dentre tantos participantes da imprensa marrom atual, ainda existem aqueles que honram o diploma, aliás, este que infelizmente não vale mais para tal profissão. Na minha opinião, algo injusto. Mas voltemos ao assunto em pauta.
Seja na televisão, seja nas revistas sensacionalistas, a Ciência ganha pouco destaque. Não precisamos ir muito longe para entender do que estou falando. Hoje, quando você sentar em frente aquele “tubo de elétrons” (como diria Marcelo Tas), observe bem quantas notícias falam de tragédia, quantas falam de coisas boas e quantas falam de desenvolvimento, seja ele tecnológico ou científico. Depois preste atenção também quanto tempo o jornalista fica falando sobre o assunto da manchete para cada um dos temas citados. Vai ser fácil notar que as tragédias ocupam pelo menos 80% do noticiário do dia. E mais, quando se cita sobre algum desenvolvimento (geralmente internacional), ganha míseros segundinhos que se tornam nada perto de horas, dias, semanas ou meses falando do mesmo assunto de tragédia.
Como já disse, não se pode generalizar os jornalistas. Porém, infelizmente, aqueles que conseguem subir na profissão com caráter e honestidade, acabam sendo vítimas do sistema imposto (assim como muitos políticos) pela imprensa sensacionalista, e ai dele se não se entregar: rua. Não é culpa totalmente do jornalismo ou dos falsos jornalistas que levam informações distorcidas. Acaba sendo uma questão cultural do ser humano que se inflou mais no Brasil.
A Ciência e a Tecnologia brasileiras não têm grande espaço na divulgação nacional. Mas isso não fica só na imprensa não. Os próprios responsáveis pela aplicação do desenvolvimento interno, não estão muito interessados em utilizar a tecnologia brasileira. Há uns dias atrás, nosso amigo Luciano postou uma notícia aqui no CienTecno comentando sobre um engenheiro que desenvolveu um projeto super interessante sobre análise de terrenos, o que faria prever deslizamentos entre outros abalos, e acreditem ou não, ele não conseguiu apoio em nenhum órgão brasileiro de desenvolvimento, sendo forçado, então, a buscar apoio internacional. O projeto será usado em outro país.
Assim como esse rapaz, há muitas pessoas, é o que em geopolítica chamamos de “fuga de cérebros”. Grandes cientistas brasileiros vão para o exterior por serem melhor reconhecidos. E é assim que o de fora se desenvolve mais que o de dentro.
Já disse para muita gente que pretendo me desenvolver e aplicar meu conhecimento no Brasil, já que sou brasileiro. Alguns me chamam de patriota, outros de nacionalista, não sei bem o que é isso, mas eu acho justo. Porém, após ler essa notícia, posso dizer, esse raciocínio se abalou. Assim como pode ter ocorrido com muitos outros que leram aquele mesmo texto.
Agora venho comentar novamente para não me tornar hipócrita: será que a notícia é totalmente verdadeira ou será mais uma jogatina da mídia para trazer sensacionalismo ao leitor? É difícil encontrar a “verdade absoluta”.
Deve-se pensar no assunto, entender um pouco a situação do mundo científico na publicidade atual. A TV nem sempre está certa, assim como eu, como você, como as informações desse texto. Não se deixe enganar, não se torne alienado. Tente encontrar a verdade por trás de tudo isso. Os imperativos da globalização estão ao redor de tudo e de todos, poluindo nossas mentes e consumindo nosso dinheiro. “Compre isso, compre aquilo, use isso, use aquilo”…$$$…Pense!
Mente aberta JÁ!
“A verdadeira ignorância não reside na falta de conhecimentos,
mas na falta de vontade de aceitá-los.”
(Karl Popper)
Quando a ciência omite as contradições
fonte: Revista unespciência, outubro de 2009.
Alguns pesquisadores disseram que meu artigo anterior teria sido mais justo se tivesse mostrado que não só jornalistas omitem visões conflitantes sobre as descobertas científicas, como muitas vezes cientistas também enveredam por apresentar a ciência como se ela parecesse detentora de verdades absolutas. Na verdade, não se tratou de ignorar a parte do problema que diz respeito aos cientistas, mas de cobrar da imprensa o cumprimento de um de seus preceitos éticos e técnicos mais básicos. E, para não deixar o assunto esfriar, já que esta coluna dá as caras só uma vez por mês, vamos ao assunto.
Inicialmente, vale a pena abordar um importante aspecto da imagem que a sociedade contemporânea tem dos cientistas. É o que mostrou uma pesquisa nacional realizada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) em 2007. No levantamento, a comunidade acadêmica foi o grupo mais bem avaliado em relação ao aspecto da credibilidade pública: apenas 2% dos entrevistados escolheram “cientistas que trabalham em universidades” como resposta à pergunta “Se você desejar receber informações sobre algum assunto importante para você e para a sociedade, quem te inspira menor confiança como fonte de informações?”. As outras alternativas de resposta eram: representantes de organizações de defesa do consumidor (escolhida por 3% dos entrevistados), médicos (7%), cientistas que trabalham em empresas (7%), escritores (8%), jornalistas (15%), religiosos(18%), militares (44%) e políticos (84%).
Esse imaginário social da ciência apontado no Brasil pelo estudo do MCT corresponde aos resultados de diversas pesquisas de opinião pública estrangeiras, como os levantamentos bianuais da Fundação Nacional da Ciência, nos Estados Unidos, e da européia Eurobarometer, assim como a pesquisa realizada em 2003 em alguns países latinos, entre eles o Brasil [Vogt, C. & Polino, C. (orgs.), Percepção pública da ciência: Resultados da pesquisa na Argentina, Brasil, Espanha e Uruguai, 2003.]
Como já foi dito no artigo anterior, geralmente os bons papers fazem menção a trabalhos baseados em visões conflitantes com a do autor. Ou seja, de um modo geral, a produção científica é conduzida com o necessário espírito autocrítico, de modo a merecer a credibilidade apontada nas referidas pesquisas de opinião pública.
Mas a ciência também tem seus momentos menos nobres. Foi lamentável, por exemplo, há exatos 20 anos, a atitude de muitas equipes de cientistas, em diversos países, que anunciaram à imprensa terem conseguido reproduzir o mesmo experimento da fusão nuclear a frio que os norte-americanos Stanley Pons e Martin Fleischman, da Universidade de Utah, disseram ter realizado, mas que depois se revelou ter sido um engodo.
Outro mau exemplo veio do próprio Projeto Genoma Humano, como bem demonstrou o jornalista Marcelo Leite em sua tese de doutorado em sociologia da ciência, na Unicamp, em 2005, que tomou forma posteriormente no livro Promessas do genoma, da Editora Unesp, de 2007. O estudo mostra que, desde seu início em 1989, as lideranças do projeto passaram a adotar, em sua estratégia para captação de elevadas somas de recursos, uma comunicação amplamente baseada no argumento determinista de que “tudo está nos genes”. E isso aconteceu justamente em um momento do desenvolvimento da biologia em que estava consolidada a convicção de que a arquitetura do genoma humano não comporta interpretações deterministas.
Muitos outros exemplos podem ser dados de iniciativas por parte de cientistas movidos por interesses alheios ao ethos da pesquisa. Certamente esses procedimentos não correspondem ao que é posto em prática no dia-a-dia da ciência. E, mesmo que fosse o contrário, isso reforçaria ainda mais a necessidade de os jornalistas trabalharem sempre sob a perspectiva do contraditório.
Saudável Responsabilidade
Uma mistura de Ciência, Saúde e Política, histórica e atual.
Texto de João Paulo de Oliveira Freitas
Acima de qualquer discussão sobre saúde pública, encontram-se os deveres do Estado em garantí-la a qualquer cidadão brasileiro. Apesar disso, sabe-se que nem sempre esses direitos humanos atingem seu total objetivo. Isso é evidente quando são estudadas as medidas governamentais de manutenção da saúde, tais como a prevenção, meta primária do Estado.
Cientificamente falando, a saúde depende do desenvolvimento tecnológico, que por estar defasado no país, acaba descontentando o serviço público de saúde.
A Saúde vem se tornando mercadoria. Julio José Chiavenato, em seu livro “O Massacre da Natureza”, explica que o avanço da política econômica mundial tem tornado mais importante o tratamento de uma doença do que sua possível cura, por ser algo mais rentável. Um perigo monetário causador de muitos conflitos. Basta assistir todos os dias filas, falta de equipamentos e falta de profissionais no serviço público de saúde.
Há pouco tempo, com uma queda de energia que atingiu grande parte do Paraguai e do Brasil, um hospital brasileiro público não tinha gerador de energia para os equipamentos que mantinham vivos os recém nascidos, fato que causou polêmica.
Muito antes da criação do Sistema Único de Saúde (SUS), em 1988, os governos brasileiros já enfrentavam problemas com epidemias. Oswaldo Cruz, no mandato de Rodrigues Alves, ao inserir sua política preventiva de vacina obrigatória, causou certa desordem entre a população, a qual não aceitou as invasões de privacidade, dando origem à Revolta da Vacina.
Fatos como esse comprovam a importância da aceitação da população numa medida preventiva de saúde. O problema da privacidade levou os governantes a contornarem a situação, aplicando, por exemplo, a política de redução de danos. O fornecimento de seringas descartáveis a usuários de drogas é uma das metas. Essa medida é contraditória, mas eficiente: mesmo sendo polêmica, torna-se apaziguadora.
Além do problema social que o Estado enfrenta, há o econômico. O SUS gasta milhões de reais para manter métodos de prevenção e tratamento de doenças ativos. Essa questão novamente é incômoda para a população, já que impostos a mais são cobrados. Margaret Chan, da Organização Mundial de Saúde (OMS), infere que garantir a saúde para todos, requer responsabilidades mútuas. A consciência é uma delas.
Analisando todos esses fatos, é claramente visível a importância da conciliação entre a população e o Estado. Sem sobrepor direitos e deveres um do outro, a saúde é atingível. O Poder Nacional tem limitações e desafios para enfrentar. A melhor saída é a informação. Indivíduos mais bem informados tendem a ter mais gosto pela vida e assim enfrentar as doenças como meros momentos, e momentos são passageiros.






















