Participação chama a atenção do mercado de trabalho e abre portas
Publicado no Portal Universia em 05/03/2010 - 12:00
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Carros alinhados para o grid de largada do BAJA SAE Brasil |
Talvez a visão dos 60 carros levantando poeira e brigando por centímetros de pista remeta o espectador a apenas pensar numa corrida comum. Os olhos menos atentos não percebem os detalhes da disputa que coloca os 1.200 alunos do curso de engenharia em enfrentamento direto, mas seu sentido é muito mais profundo e amplo na vida e carreira de seus competidores. Trata-se da 16º edição da Competição BAJA SAE Brasil Petrobrás, ocorrida entre os dias 25 e 28 de fevereiro no ECPA (Esporte Clube Piracicabano de Automobilismo), em Piracicaba. Tal como o desafio automobilístico, outras competições universitárias movimentam estudantes Brasil afora e mesclam trabalho pesado, estresse e sentimentos que muitos não esperavam encontrar tão cedo.
Mais do que uma fogueira de egos ou o simples caráter lúdico do jogo, as competições universitárias podem reservar para os participantes algo que vai além do que a satisfação efêmera pela vitória sobre os rivais. A Baja SAE, por exemplo, é conhecida por montadoras e sistemistas como o berço de novos talentos da área. Ex-participantes se envolvem no evento e, em muitos casos, até buscam por colegas de trabalho em meio à poeira que os carros levantam a cada volta. De acordo com Renato Otta, engenheiro mecânico, vice-diretor da competição, e “ex-bajeiro”, o concurso funciona atualmente como um lugar onde é possível colocar a construção da tão falada rede de contatos em prática. “É como se um profissional reconhecesse o cheiro do outro”, brinca o vice-diretor.
Além disso, o profissional admite que nos dias de hoje, em decorrência da divulgação e fama que o evento obteve com o passar dos anos, fica mais fácil transpor as pistas e os projetos e chegar ao mercado de trabalho. “Aqueles que acompanham a competição buscam por profissionais capazes”, relata o engenheiro que defende projetos que aproximem os alunos da profissão escolhida. “É preciso agregar as aulas da faculdade com o dia-a-dia da profissão, fazer com que eles sintam na pele o que o mercado de trabalho cobrará”, declara ele.
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Cassio Silva Mangueira de Assis espera colher os benefícios de sua participação no BAJA |
O capitão do time vencedor desse ano – e de outras seis vezes, incluindo três mundiais – Cassio Silva Mangueira de Assis, do Centro Universitário FEI (Faculdade de Engenharia Industrial), concorda com as afirmações de Otta. Ele fala também dos problemas enfrentados por um universitário que se preocupa com o futuro profissional. “Colocamos a vitória como nosso objetivo, esquecemos as férias e o carnaval e corremos atrás dessa meta”, resume ele.
Assis, que vai se formar no próximo semestre em Engenharia Mecânica Automobilística acredita que a amizade e os contatos que fez dentro da Baja, de sua atual equipe e com os membros que passaram pelo projeto antes dele, e já estão inseridos na profissão, irá ajudá-lo a fazer parte de um grupo de profissionais que despontam nas indústrias e empresas do setor. Para ele, os “bajeiros” estão muito bem colocados dentro das montadoras por serem capazes de realizar suas tarefas com profissionalismo e dedicação. “Já conversei com antigos membros da equipe que estão empregados e, com certeza, depois do mundial, vou receber ajuda”, aposta o estudante.
Lawrence Tack Wen Yan, capitão da equipe Poli Titã, da USP (Universidade de São Paulo), e aluno de Engenharia Mecânica, acredita que todas as etapas da prova vêm carregadas de experiências positivas. “Aprendemos a trabalhar em equipe e a lidar com os diferentes tipos de ego de cada um do grupo”. Além disso, o estudante acrescenta que sair da sala de aula e lidar com os problemas na prática, e não na teoria, é um dos desafios que o atrai. Yan conta que agora começará a trabalhar na busca por patrocinadores para levar o Poli Titan para a América do Norte. A parte internacional da equipe, conhecida como BAJA SAE Carolina, é realizada pelo SAE internacional, que acontece de 8 a 11 de abril, na Carolina do Sul, Estados Unidos. A competição reúne mais de 90 equipes de países diferentes.
Outro indício que aponta a importância da participação em competições universitárias vem do mercado. Todos os projetos envolvidos nessa competição já estão dando frutos e chamam a atenção das empresas, que concordam com a visão de mundo de quem participa, coordena e aposta nessas iniciativas que capacitam os jovens para o ambiente profissional. A própria FIAT já tem tradição em buscar novos talentos em competições como essa. “O projeto dos participantes é totalmente voltado para o setor automotivo, por isso nós vamos até eles com oportunidades de emprego”, conta Simone Alvim Taiss, chefe de recrutamento da montadora.
Segundo Simone, todo o panorama técnico que envolve esse tipo de competição é favorável para quem busca um profissional da área, já que antes de ir para as pistas é preciso passar meses projetando os veículos. Uma situação por onde muitos profissionais que hoje atuam em diversos setores da montadora já passaram. “Exemplos não faltam para mostrar como é interessante correr atrás dessa turma”, afirma Simone. Ela deixa claro que a FIAT fica do olho em outras competições do gênero no calendário de eventos automotivos das universidades para sondar novos talentos.
Novos horizontes
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Lawrence Tack Wen Yan diz gostar de lidar com problemas na prática |
Não só de lama e engrenagens vive o mundo das competições universitárias. Longe disso, existem outros programas que primam pelo futuro profissional de seus participantes. Como é o caso do FGV Latin Moot Corp, que será realizada nos dias 11, 12 e 13 de março na FGV-SP (Fundação Getulio Vargas de São Paulo). Frente a 39 juízes – entre os quais banqueiros, investidores, administradores, consultores e empreendedores de sucesso – cada equipe, com cerca de cinco, integrantes deve convencer a banca que seu projeto é viável para o mundo dos negócios.
Para o Diretor de Projetos da FGV, Rene Fernandes, o contato dos estudantes com profissionais de sucesso faz com que sua visão de mundo cresça além da sala de aula. “Eles estarão em contato com a comunidade empreendedora e mesmo que não saiam de lá como vencedores, a experiência do empreendedorismo, a partir do feedback de especialistas, com certeza vai ajudá-los nos negócios”, explica Fernandes. Além de chamar a atenção do mercado brasileiro, o ganhador de um desses concursos universitários certamente abrirá portas na carreira. Os ganhadores do FGV Latin Moot Corp, por exemplo, partem para o Global Mult Corp, que será realizada de 5 a 8 de maio em Austin, no Texas, Estados Unidos.
Outro evento importante que, nesse ano entra na sua 11º edição, é o Desafio SEBRAE, que começa no dia 17 de março. A idéia do SEBRAE (Sistema Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) é a capacitação empreendedora dos alunos que participam. “É a gestão de uma empresa virtual com problemas reais”, resume Carla Virginia Lima Costa, coordenadora nacional do projeto. De acordo com ela, a competição abrange 78% das instituições de Ensino Superior que, segundo dados do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), recebem 5.067,112 alunos todo ano. “Nosso objetivo é sensibilizar o aluno que entra na universidade para a cultura do empreendedorismo, mostrar que abrir uma empresa é uma boa opção”, comenta a coordenadora.
Os números sinalizam como a competição já rende frutos, não apenas do ponto de vista da projeção dos estudantes para o mercado, mas em relação à abertura de novas visões de futuro na cabeça dos estudantes. Muitos universitários participantes já consideram o fato de serem seus próprios patrões no futuro. De acordo com dados do próprio SEBRAE, dos 656,261 mil participantes que já passaram pelo programa, em países como Colômbia, Equador, Chile, Paraguai, Uruguai, Argentina e Brasil, 24,09% já possuem um negócio próprio.
























