Casamento da Ciência com a Arte

Postado por João Paulo Em 17 de February de 2010

O jornal UNESP CIÊNCIA, divulgou, em sua última edição, uma entrevista muito interessante com a autora de um livro que casou muito bem a ciência e a arte. Clique AQUI e veja o texto original.

Diana Domingues assinala força da tecnologia e cultura digital, destacando futuro da criação coletiva

Pós-doutora pelo ATI – Instituto de Arte e Tecnologia da Imagem da Universidade de Paris VIII e doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP, Diana Domingues é artista e professora colaboradora na Universidade de Brasília, no Laboratório de Pesquisa em Arte e Realidade Virtual. Pioneira e atuante artista e pensadora sobre práticas criativas na relação arte, ciência e tecnologia, desenvolve pesquisas sobre expansão sensorial e perceptiva por dispositivos de interação, comportamento evolutivo, imersão em realidade virtual, realidade aumentada e misturada, tecnologias da mobilidade, plataformas sociais em software-arte. Organizou, entre outros, Arte, ciência e tecnologia: passado, presente e desafios (Editora Unesp e Itaú Cultural, 2009), Arte e vida no Século XXI: tecnologia, ciência e criatividade (Editora Unesp, 2003) e A arte no século XXI: a humanização das tecnologias (Editora Unesp, 1997). (Entrevista a Oscar D’Ambrosio)

Jornal Unesp: Como surgiu o livro Arte, ciência e tecnologia: passado, presente e desafios?
Diana Domingues: Ele começa em 2005, com a primeira Conferência Internacional em História da Mídia, Arte, Ciência e Tecnologia, no Canadá. Foi a primeira tentativa de reunir especialistas do mundo em torno de uma trajetória que já tem 40 anos e se iniciou com um grupo de artistas queé chamado por cientistas para trabalhar no Instituto de Tecnologia Massachusetts (MIT), nos EUA, e pensar como a ciência e a arte poderiam caminhar juntas. O livro reúne mais de 20 autores, especialistas do mundo inteiro nos mais diferentes domínios, como automação, interfaces, redes, processos e visualização de dados. O foco está nas maneiras diferentes de trabalhar com as tecnologias numa relação da arte com a ciência. O objetivo é juntar pessoas para desenvolver conhecimento.

JU: Nessas parcerias entre artistas e cientistas, como fica a questão da autoria?
Diana: A arte não nasceu com essa questão da autoria. Quem criou isso foi o alemão Albert Dürer na Renascença. Até então, os artistas nem assinavam os trabalhos. Uma obra numa catedral não tinha uma autoria, por exemplo. O que ocorre agora é uma volta às origens. Isso é muito importante, porque a arte abraça assim a sua essência. Temos obras colaborativas com autores em várias partes do planeta trabalhando em rede. É o que faz um VJ hoje. Ele pega pedaços de outras músicas para gerar a sua. Isso é uma técnica de criação colaborativa. Na concepção de cultura digital, a questão da autoria é completamente ultrapassada. Como caiu o Muro de Berlim, está caindo a hegemonia dos povos, dos grandes poderes, das pessoas e das autorias. Há uma revisão dos valores do homem e não vejo problema algum de ter uma autoria distribuída. O artista e o cientista se confundem na autoria.

JU: Como a senhora vê essas discussões especificamente no Brasil?
Diana: Acho que são coisas muito novas, e as pessoas têm que se desvestir dos grandes poderes que têm. É muito difícil lidar com as estruturas formatadas de universidades e de conselhos de agências financiadoras. Por sua vez, as crianças de hoje já têm um maior sentido de coletivo. Estão numa rede trabalhando de forma distribuída sem saber. Não estão preocupadas com autoria e, ao mesmo tempo, também querem desenvolver um saber individual. Compartilham muito mais do que nós compartilhávamos. A evolução que está acontecendo não é tecnológica, mas antropológica.

JU: Quais são os gargalos que dificultam essa transformação?
Diana: Os grandes estadistas e filósofos se abrem muito para as mudanças. Os administradores têm mais dificuldade, porque as admitem, mas encontram resistência nas estruturas. Aqueles que não aceitam as mudanças, porém, vão ser eliminados por uma questão darwinista, porque a sociedade vai exigir modificações. As novas pessoas que chegam à universidade têm mais adesão a atitudes inovadoras, abertas e participativas. O professor que fica muito isolado não consegue mais dar conta das necessidades de hoje. Leonardo da Vinci dizia que o homem era a medida das coisas. Desde 1995, no entanto, acredito que o homem só existe na medida das suas conexões. O saber está tão distribuído que você só existe no mundo em que estiver conectado. Ou você está conectado ou você não existe.

JU: Você esbanja otimismo em relação às novas tecnologias…
Diana: Sou muito paradisíaca em relação às tecnologias. Meu neto tem hoje cinco anos, mas, desde que ele estava com um ano e meio, não via sentido em largar um soldadinho virtual para brincar com o de chumbo. O imaginário dele transita entre os dois sem dificuldade. O ser humano constrói a vida dele hoje numa mistura de espaço de dados e espaço físico. A nossa vida já é uma mescla. Não sabemos mais quanto tempo passamos no mundo de dados e quanto no mundo físico. A nossa competência vem dessa mescla diária.

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Sobre Mim

Ciência e Tecnologia: duas palavras que me encantam desde pequeno. A melhor coisa que tem é você fazer o que gosta, e hoje estou na Engenharia Mecânica, na Faculdade de Engenharia de Bauru, UNESP. Pesquisas científicas e desenvolvimento de projetos são meus objetivos. Abaixo, meu currículo Lattes:
http://lattes.cnpq.br/1198397415430883

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