Texto de João Paulo de Oliveira Freitas
Medo: o que seria exatamente esse sentimento que atormenta nossas vidas há tanto tempo?
Teve sua origem da palavra “Metum”, versão latina de “Fobos”, o qual originou o derivado “fobia”. Fobos era um deus grego fruto da união de Ares (o deus da guerra selvagem, tinha sede de sangue) e Afrodite (a deusa da beleza e do amor). Além disso, era irmão gêmeo de Deimos, personificação do temor.
Fobos acompanhava seu pai, Ares, nos campos de batalha, injetando nos corações dos inimigos a covardia e o medo que os fazia fugir.
Analisando cuidadosamente esse pequeno contexto histórico grego, vemos que o medo não passa de um mito. Algo de criação humana para abafar um sentimento de difícil explicação. Um sentimento criado.
Um dos principais medos humanos atuais é a morte. Por que não nos assustamos com os nascimentos? Nascimentos a gente vê todos os dias, assim como vemos mortes também. A questão é que pelo nascimento todos já passaram, mesmo que não se lembrem, e não vêem problema algum em nascer e viver. Diferentemente, a morte é algo desconhecida. Quem passou não pode voltar e explicar o que é e como é.
Ou seja, o medo é tudo aquilo desconhecido. É o que nunca se fez, ou nunca se viu. Na História temos fatos que mostram que o medo passou a se tornar símbolo da violência. Vejamos o caso de “O Grande Medo de 1789″, foi um período no qual o campesinato francês tomou conhecimento da Revolução Francesa (conhecida pelo lema “liberdade, igualdade e fraternidade”), o que desencadeou uma série de ataques a castelos e saques a aldeias. Muitos nobres fugiram de suas propriedades propiciando o fim dos resquícios feudais na França. Esses nobres se viram sob a mira do temor alimentado pela violência.
A insegurança tomou conta do que antes era medo. Sair às ruas é algo inseguro, causa medo, medo de ser assaltado, violentado ou até mesmo sequestrado. Os próprios sequestradores têm medo: da polícia, da prisão, dos presos. Mais recentemente, em 2008, tivemos o caso Lidemberg, um jovem que por medo de perder mais uma vez sua namorada, resolveu sequestra-la. Um surto enlouquecido que durou quatro dias e terminou em tragédia.
Em vista de tudo isso é fácil analisar o medo. Antes um sentimento inexplicável que a Grécia Antiga abafou com os mitos dos deuses. Mais tarde a evolução da palavra veio junto às questões de violência, frutos de atrocidades causadas no decorrer da História. E atualmente, a violênci, muitas vezes, nem chega diretamente a nós, mas em vista de seu desenvolvimento assustador, o medo passou a ser a insegurança. Evitar sair nas ruas, ou aprisionar-se em casa, se tornou mais seguro. É como se as pessoas de bem vivessem em pequenos mundinhos e os criminosos estivessem em um gigantesco presídio chamado “Liberdade”.



















